domingo, 18 de julho de 2010

Como reduzir custos logísticos

Numa situação de crise mundial como a que atravessamos, reduzir custos é fundamental para a sobrevivência de qualquer empresa. Na área de comércio exterior, não há dúvida que contratar os serviços de uma assessoria aduaneira ou operador logístico é o primeiro passo para diminuir custos, como já descobriu, há muito tempo, boa parte das empresas que se dedicam à exportação e importação. Afinal, com a terceirização dos serviços aduaneiros e de logística, a empresa pode se dedicar ao seu core business, ou seja, a sua atividade-fim.
É exatamente isto o que deve levar em conta a direção da empresa ao contratar um operador logístico, sem se ater apenas aos valores da proposta comercial. Afinal, ao contratar um operador logístico, a empresa, além de passar a contar com profissionais especializados e uma infra-estrutura adequada, acumula ganhos ao poupar recursos humanos e gastos e tempo com treinamentos, além de recuperar impostos e evitar possíveis passivos trabalhistas que sempre funcionam como bomba de efeito retardado.
E não só. A terceirização da logística não deve ser vista apenas como redução dos custos de transporte. Até porque a redução de custos, na maioria das vezes, vem também de forma indireta, pois serviços logísticos mais ágeis acabam por favorecer o fluxo das mercadorias e, assim, o espaço físico que estava destinado para armazenagem de determinados produtos, com a movimentação rápida rumo ao seu destino final, acaba sendo utilizado para receber novos produtos. Há, evidentemente, um ganho, que pode ser indireto, mas que é muito difícil de mensurar.

O exportador/importador deve levar em conta também que o operador logístico, como pode utilizar a mesma equipe para atuar nas operações de vários clientes, fica em condições de cobrar menos por um trabalho com o qual o contratante iria gastar muito mais se tivesse de utilizar seus próprios funcionários e equipamentos. Em outras palavras: o trabalho consolidado para vários clientes garante ao operador logístico custos competitivos.

Além disso, como atua para vários clientes e segmentos ao mesmo tempo, o operador logístico também está sempre mais bem aparelhado em termos de veículos, equipamentos, rastreamento e controle de frota e automação de armazéns. Tudo isso significa menos custos logísticos para o cliente.

Pesquisa recente do Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação em Administração de Empresas (Coppead) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostrou que as maiores empresas do Brasil mantêm um índice de terceirização de serviços de logística semelhante ao dos EUA e Europa, ao redor de 91%, principalmente no que diz respeito a transporte.

Em 81% dos casos, segundo o estudo, o objetivo dessa opção é a redução dos custos. No entanto, apenas 57% delas têm alcançado a meta, com uma economia média de 13%. A partir dos dados da pesquisa, levantados junto a 115 empresas entre as de maior faturamento no País em 19 setores da economia, o estudo estima que a terceirização já permite uma redução média de 13% nos custos das empresas, o que representaria um ganho de eficiência no País avaliado em R$ 20 bilhões por ano.

Segundo o levantamento, 73% das empresas também buscam, ao terceirizar, uma melhoria de eficiência operacional. No total de seus orçamentos para logística, os recursos destinados às empresas prestadoras de serviços já chegam a 63%. Pelo menos 48% das organizações consultadas pretendem ampliar o grau de terceirização, enquanto 36% informam que essa pretensão é parcial (restrita a algumas áreas da empresa).

Ainda de acordo com a pesquisa, o índice de terceirização nas grandes empresas brasileiras chega a 94% no transporte de suprimento; 92% no transporte de distribuição; 86% no transporte de transferência (realizado internamente); 64% na armazenagem; e apenas 10% na gestão dos estoques.

Por aqui se vê que, apesar da crise, o futuro para os operadores logísticos é alentador. Até porque, em função do novo cenário mundial, as empresas estão obrigadas a fazer uma revisão de seus custos e de suas cadeias de abastecimento, recorrendo a operadores logísticos para novos estudos, projetos e melhores condições operacionais. O segredo, portanto, está em contratar o operador logístico certo, ou seja, aquele que puder oferecer as melhores soluções a custos reduzidos, sem perda de qualidade e velocidade no atendimento.

Milton Lourenço
É diretor-presidente da Fiorde Logística Internacional, de São Paulo-SP.

Brasil desconhece seus custos logísticos

No mundo todo, o segmento de logística movimenta US$ 2,1 trilhões por ano, ou 16% do Produto Bruto Global. No Brasil, porém, saber o custo logístico ainda é um desafio e uma grande preocupação para os profissionais do setor. A única afirmativa em torno da qual existe consenso é que, no país, não há estatísticas confiáveis sobre os custos logísticos, mas apenas estimativas – e mesmo essas são variadas e diferem bastante entre si.
Se uma das máximas da logística é a de que “só se pode melhorar aquilo que se mede”, fica impossível reduzir os custos logísticos sem conhecê-los.Estimativas da Associação Brasileira de Movimentação e Logística (ABML), apontam os custos logísticos em 19% do faturamento de uma empresa. Já um estudo realizado há cinco anos pelo Banco Mundial revela que o custo do transporte no Brasil representa 10% do PIB (que hoje está em R$ 1 trilhão). Como a estimativa consensual é de que o custo do transporte no Brasil eqüivale a 60% dos custos logísticos, calcula-se que o segmento todo movimente até 16% do PIB (o que bate com os números globais), ou cerca de R$ 160 bilhões.
Aí começam as divergências. A NTC – Associação Nacional do Transporte de Carga – calcula que o setor movimente anualmente no Brasil R$ 50 bilhões. Assim, o custo logístico total do país seria de R$ 80 bilhões, ou seja, metade do número anteriormente apresentado. O professor Antonio Galvão Novaes, da Universidade Federal de Santa Catarina, acredita que o custo logístico brasileiro total seja bem maior: 20% do PIB. Para ele, porém, mais importante é notar como esses custos podem ser otimizados.
Para contornar o problema da escassez de estatísticas confiáveis, a ABML definiu como uma das prioridades do plano de ação de seu quarto ano de atividades a criação de um índice para precisar os custos do setor. Esses indicadores seriam compostos por diversos itens, com maior ou menor peso no cálculo. O trabalho está sendo feito em parceria com a Fundação Vanzolini, da Universidade de São Paulo, e o novo indicador será lançado até julho. Para o presidente da ABML, Pedro Moreira, acompanhar a curva de atividade do setor é fundamental numa economia estável, onde é preciso menos “achismo” e mais planejamento.
Porém, antes de levantar os custos logísticos, é preciso saber como ele é composto. De acordo com o Latin American Logistics Center (LALC), uma pesquisa iniciada nos primeiros meses de 2001 em parceria com a ABML revelou que muitas empresas não têm nenhum conhecimento de seus custos logísticos.
O conceito de logística integrada ainda é relativamente novo no Brasil e engloba desde a previsão de vendas, estoques/inventário, embalagem, fluxo de informações, movimentação, aspectos legais, planejamento operacional, armazenagem e serviço ao cliente, até suprimentos, transporte e planejamento estratégico. Definir o custo de cada uma dessas etapas é o grande desafio.
O custo mais óbvio e mais pesado de todos, como já foi dito, é o de transporte, mas mesmo nesse item existem divisões e pesos que muitas vezes são desconhecidos pelas empresas, de acordo com Marcos Isaac, vice-presidente de Manufatura e Bens de Consumo da Ernst & Young Consulting. Com ele concorda o professor Paulo Fernando Fleury, do Centro de Estudos em Logística do Coppead/UFRJ, que afirma que muitas empresas compram com o custo do frete embutido (FOB) e nem sabem quanto gastam com o transporte.
Entre os grandes empecilhos à produtividade e à conseqüente redução de custos logísticos estão a infra-estrutura do Brasil, principalmente de transportes, portuária e alfandegária, e os impostos em cascata, que inviabilizam muitas soluções logísticas ou forçam a outras impensáveis em outros países. Quando à infra-estrutura, os especialistas concordam que ela tem melhorado. Programas como o “Brasil em Ação” e o “Avança Brasil”, além dos programas de concessões de portos, ferrovias e rodovias, têm gerado resultados. Até a hidrovia tem sido mais utilizada, permitindo rotas muito mais vantajosas economicamente, principalmente para produtos de menor valor agregado.
Os elogios evaporam-se quando o tema são impostos e juros. “O custo financeiro é um dos que mais sobrecarregam a logística, porque está muito ligado à taxa de juros, que continua muito mais alta que na Europa e nos EUA”, afirma Marcos Isaac. Outra grande preocupação do setor, além de reduzir os custos, é identificar onde estão as perdas no processo.
É no chamado custo/oportunidade que as empresas podem buscar um ganho substancial no processo. Exemplo: quanto se poderia recuperar no dia-a-dia com o melhoramento da mão-de-obra? Para os especialistas, o importante é aprimorar as pessoas e padronizar processos, como tamanho e piso dos baús dos caminhões, altura de paletes, volume de carga, nomenclaturas e sistemas. Além de investir na formação do ser humano, é preciso investir em automação, em sistemas que reduzam a possibilidade de erros e avarias, reduzindo desperdícios, ineficiências e redundâncias. A preocupação em torno do tema não vem por acaso. Com a Alca batendo à porta, as empresas brasileiras terão de correr mais do que nunca para alcançar um padrão de competitividade que lhes permita sobreviver no novo panorama.
Fonte: Revista Tecnologística.