segunda-feira, 13 de setembro de 2010

BRASIL TENTA ESTREITAR LAÇOS COM A ÁFRICA

No início deste mês, o presidente Lula fez uma série de viagens pelos países africanos e retornou ao Brasil com diversos acordos depois de ter expandido drasticamente os laços com o continente durante seus oito anos de governo. O presidente afirmou ter se esforçado para aumentar o comércio com outras economias emergentes, no momento em que elas detêm um papel global de maior importância, aproveitando os fortes laços culturais do Brasil com a África. Durante seu mandato visitou mais de 25 países africanos, seis deles nesta viagem.

De acordo com especialistas, a atual aproximação dos brasileiros com os países africanos é inédita, no entanto, apesar das exportações do Brasil para a África terem crescido 267% nos últimos sete anos, o comércio com os parceiros africanos ainda engatinha em termos absolutos, sobretudo quando o resultado é comparado com a performance de outros emergentes. Em 2009, o grupo dos países africanos comprou US$ 8,9 bilhões do Brasil, enquanto chineses forneceram US$ 50,5 bilhões em produtos, e a Índia, cerca de US$ 15 bilhões.

"As companhias brasileiras têm de vir aqui e investir”

A falta de financiamento em comparação aos rivais chineses também atrapalhou as empresas brasileiras que queriam se expandir no continente africano, afirmam pessoas ligadas ao setor. Roger Agnelli, presidente da Vale, que viajou com a delegação de Lula, ressaltou a importância dos países africanos. "As companhias brasileiras têm de vir aqui e investir. A África é o futuro em recursos naturais, assim como o Brasil e a América Latina são o presente", afirmou ele. A Vale está investindo US$ 1,3 bilhão no projeto de mina de carvão de Moatize, em Moçambique. Na Zâmbia, a companhia anunciou planos de investir US$ 400 milhões em um projeto de exploração de cobre.

Especialistas afirmam que a proporção do comércio do Brasil com os países africanos caiu de 7% em 2008 para 5,6% até maio deste ano. O comércio do país com a África ainda é dominado por alguns poucos países, como Nigéria, Angola e África do Sul, e por algumas grandes empresas, como a Vale e a Petrobras. O Brasil, no entanto, vê os africanos como crucial para seu objetivo de criar um mercado mundial maior para o etanol à base de cana-de-açúcar, do qual é o maior produtor mundial.

O chefe do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty, Norton Rapesta, disse que o Brasil está conquistando seu espaço no continente de forma "gradativa", mas que existem ainda alguns desafios - o principal, segundo ele, é o transporte marítimo entre as duas regiões. "Ainda temos poucas conexões frequentes. Muitas dessas linhas incluem uma escala na Europa, o que torna o transporte mais caro para os dois lados", diz.

Nicomex Notícias – Redação
nicomex@nicomex.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário